A OpenAI anunciou que vai começar a testar anúncios no ChatGPT. Eles devem aparecer no rodapé das respostas, claramente identificados e separados do conteúdo orgânico, para adultos logados nos EUA nos planos Free e Go.
Para quem faz marketing, isso é mais do que “mais um canal”. É a entrada definitiva da lógica de mídia paga em uma interface de conversa, onde a pessoa está buscando decisão, não só informação.
O que foi anunciado, sem ruído
- Quem vê anúncios: usuários Free e Go, em testes nos EUA, para adultos logados. * *
- Quem não vê: Plus, Pro, Business e Enterprise devem continuar sem anúncios.
- Onde aparece: no rodapé das respostas, em contexto relevante, como produto ou serviço patrocinado.
- Separação e transparência: a OpenAI afirma que anúncios serão rotulados, separados da resposta e com opções de “por que estou vendo isso” e de ocultar ou dar feedback.
- Restrições: a cobertura da Reuters e do The Verge cita que anúncios não devem ser exibidos para menores de 18 e não devem aparecer em temas sensíveis como saúde e política.
- Privacidade e dados: a OpenAI e veículos que cobriram o anúncio reforçam que conversas pessoais não serão “vendidas” para anunciantes e que anúncios não devem influenciar as respostas.
Por que isso importa para marketing
O ChatGPT virou um lugar onde a intenção nasce. Não é só “buscar no Google”. É a pessoa dizendo “me ajuda a decidir”, com contexto, restrições e preferências.
A própria Reuters citou uma base enorme de usuários semanais, o que transforma qualquer teste em um sinal forte para o mercado.
Na prática, o ChatGPT começa a se comportar como uma nova vitrine de decisão, com duas camadas competindo pela atenção:
- Camada 1, resposta orgânica, confiança, clareza, utilidade
- Camada 2, bloco patrocinado, relevante e explícito, com objetivo comercial
O que muda para mídia paga
- Surge um novo inventário de “Search-like”, mas em formato de conversa
A lógica lembra busca, só que a “consulta” é um diálogo. A intenção pode ficar mais clara, e isso tende a aumentar valor de contexto para anúncios, sem depender de uma palavra-chave isolada. - Criativo e landing page precisam responder a perguntas, não só vender
Se a pessoa está conversando, ela quer comparações, trade-offs, recomendações e próximos passos. Anúncio que manda para uma landing genérica tende a performar pior do que uma página que já antecipa dúvidas. - Brand safety vira prioridade real
Em conversa, o risco de contexto sensível é maior. A própria OpenAI sinaliza restrições para temas sensíveis e idade, o que indica que o tema é central no desenho do produto. Para marcas, isso se traduz em regras internas, listas de exclusão e revisão de mensagens. - Métricas mudam, funil fica mais curto, atribuição fica mais confusa
A conversa pode gerar “pré-venda” antes do clique. O impacto pode aparecer em aumento de taxa de conversão, ou em redução de CPL, mas também em atribuição mais difícil, porque parte do convencimento aconteceu dentro do chat.
O que muda para conteúdo e SEO, ou melhor, AEO
A pergunta prática não é “como ranquear no Google”, é “como ser a opção escolhida quando alguém pede recomendações na IA”.
AEO significa Answer Engine Optimization, otimização para mecanismos de resposta. É um jeito de pensar conteúdo com foco em ser citado, referenciado e recomendado por sistemas de IA.
O que tende a ganhar peso
- Conteúdo com estrutura clara
Perguntas e respostas, comparações, prós e contras, checklists, definições simples, passo a passo. - Provas e fontes confiáveis
Em temas que envolvem decisão, a confiança vira moeda. Quem cita fontes, mostra dados e deixa claro o que é fato e o que é opinião, geralmente ganha. Isso conversa diretamente com o que a cobertura da AP levantou como preocupação central, confiança e privacidade. - Páginas que resolvem uma dúvida de verdade
“Guia definitivo” sem substância está morrendo. Conteúdo que resolve um problema específico, com exemplos e decisões, tende a ganhar mais.
Como isso afeta empresas e gestores, na prática?
Para gestores, esse movimento tem uma leitura simples: a fronteira entre conteúdo e mídia paga vai ficar mais borrada.
Você vai ver marcas disputando atenção em ambientes onde o usuário espera neutralidade. É por isso que transparência importa. Quando a experiência parece manipulada, a confiança cai. Pesquisas sobre confiança em chatbots apontam privacidade e risco percebido como fatores importantes na formação de confiança.
Checklist, o que fazer agora
Atualize seu kit de mensagens
Tenha 3 versões, explicativa, comparativa, decisória.Crie ou melhore páginas de decisão
Uma página por “categoria de escolha” com comparativos e perguntas frequentes.Fortaleça prova social e credibilidade
Cases, números, depoimentos, fontes, políticas claras.Prepare mensuração
UTMs, eventos de conversão, CRM bem alimentado, e um painel simples para comparar antes e depois do teste de anúncios.Defina uma política interna de brand safety para IA
Temas proibidos, linguagem proibida, promessas proibidas, e revisão humana.
Conclusão
ChatGPT com anúncios é menos sobre “mais um canal” e mais sobre uma mudança de comportamento do consumidor, de buscar para conversar, de comparar para decidir, e de decidir com contexto.
Quem sair na frente vai ser quem respeita a pessoa, entrega clareza, prova e utilidade, e usa mídia paga como aceleração, não como muleta.
Se você quer que a sua empresa se prepare para esse novo cenário, com conteúdo que vira recomendação e com mídia paga que vira demanda, dá para estruturar isso em um plano simples de 30 dias, com páginas de decisão, mensuração e uma rotina de publicações que sustenta as campanhas.