Quando você sabe com quais 40 empresas quer fechar, o ABM vale mais do que mil leads

Profissional da indústria usando tablet ao lado do título 40 empresas valem mais do que mil leads

Em 1 minuto

ABM marketing (Account-Based Marketing, ou marketing baseado em contas) é escolher poucas empresas e trabalhar cada uma como se fosse um mercado próprio, com mensagem para cada pessoa que participa da compra. Serve quando você consegue dar nome às contas que fariam o seu ano. Se o seu mercado tem milhares de compradores pequenos, outro caminho rende mais. Neste artigo eu mostro como saber de que lado você está, como mapear quem decide e um limite do LinkedIn que quase ninguém conta antes de você montar a campanha.

Todo diretor comercial de indústria que eu conheço tem uma lista. Às vezes está numa planilha, às vezes na cabeça. São 30, 40, 50 empresas que, se fechassem, resolveriam o ano.

E o marketing, enquanto isso, comemora 200 leads no mês. Metade é estudante, um quarto é concorrente fazendo pesquisa de preço e o resto pediu orçamento de algo que a empresa nem vende.

Caiu lá, o comercial que se vire. Não é bem assim que funciona.

O ABM existe para juntar essas duas realidades. A lista do comercial vira o público do marketing.

O que é ABM marketing?

ABM é a estratégia de marketing mais seletiva que existe hoje na escolha do público, na comunicação e no relacionamento. Em vez de atrair muita gente e filtrar depois, você escolhe antes as empresas e os cargos que importam e constrói relacionamento e autoridade com eles no médio e no longo prazo.

Funciona como uma pescaria com arpão, e não com rede. Você vê o peixe antes de jogar.

Na prática, três coisas mudam.

  1. O público tem nome. Não é “indústrias do Sudeste”. É a Empresa X, a Empresa Y e a Empresa Z.
  2. A mensagem muda por pessoa. O engenheiro que especifica e o diretor financeiro que aprova recebem argumentos diferentes.
  3. A métrica muda. Você para de contar leads e passa a contar contas engajadas, reuniões e oportunidades abertas.

ABM serve para a minha empresa?

Serve quando o seu cliente é uma empresa que dá para nomear e quando um único contrato paga meses de esforço. Não serve quando o seu mercado é grande e pulverizado. Aí, geração de demanda e inbound entregam mais por real investido.

Use este teste. Se você marcar três sinais ou mais, vale a pena testar ABM.

SinalABM tende a funcionarMelhor outro caminho
Tamanho do mercadoVocê consegue listar as empresas que compramSão milhares de compradores possíveis
Valor do contratoUm contrato paga vários meses de esforçoTicket baixo, decisão rápida
Quem decideVárias pessoas, de áreas diferentesUma pessoa decide sozinha
Ciclo de vendaMeses, com reuniões, testes e aprovaçõesDias ou semanas
Vendas e marketingTopam trabalhar a mesma listaCada um com sua meta e sua planilha
Checklist com cinco sinais para saber se o ABM serve para a sua empresa

O último sinal é o que mais derruba projeto. ABM sem o comercial é só anúncio bem segmentado.

Se você ficou no meio do caminho, não tem problema. Muitas empresas B2B combinam os dois. Atraem com conteúdo e busca quem já está pesquisando (eu explico a diferença entre inbound e outbound aqui) e usam o ABM só para as 20 ou 30 contas que mais pesam.

Quais são os tipos de ABM?

Existem três intensidades. A escolha depende de quantas contas você vai trabalhar e de quanto cada uma vale.

FormatoQuantas contasComo fica a comunicação
Um para umDe 1 a 10Conteúdo, proposta e abordagem feitos para cada conta
Um para poucosDe 10 a 50Grupos de contas parecidas, com mensagem por setor ou por dor
Um para muitosCentenasSegmentação por perfil, com personalização mais leve

Para a maioria das indústrias brasileiras de médio porte, o começo mais realista é o um para poucos. Dá para personalizar de verdade sem montar uma equipe só para isso.

Como fazer ABM em 6 passos

1. Monte a lista com o comercial na mesa

A lista nasce do perfil de cliente ideal, o ICP. Quais empresas compraram mais, pagaram em dia, renovaram e deram menos dor de cabeça? Quais são parecidas com elas? Se você ainda não tem esse perfil escrito, comece por aqui, com o guia para criar o perfil de cliente ideal.

A regra é simples. Conta que o comercial não quer atender não entra na lista.

2. Separe as contas em níveis

Nem toda conta merece o mesmo esforço. Separe em três grupos.

  • Nível 1. As 5 a 10 que mudariam o ano. Recebem atenção quase individual.
  • Nível 2. As 20 a 40 seguintes. Recebem comunicação por grupo.
  • Nível 3. O resto do perfil ideal. Recebe a comunicação de marca de sempre.
Três níveis de contas no ABM, 10 contas com atenção quase individual, 40 por grupo e o restante do perfil ideal

3. Mapeie o comitê de compra

Aqui está o coração do ABM. Em venda complexa, quem assina o pedido raramente é quem descobriu o problema. Eu gosto de separar o comitê em cinco papéis.

Este é o quadro que eu uso. Vale salvar.

PapelQuem costuma serO que tira o sono deleO que ele precisa ver
Quem usaOperação, manutenção, produçãoParada de linha, retrabalho, equipamento que não aguentaProva de que funciona no dia a dia, depoimento de quem opera
Quem especificaEngenharia, qualidade, TINorma, risco técnico, compatibilidadeFicha técnica, certificação, comparativo honesto
Quem aprovaDiretoria, sóciosRetorno e risco para o negócioCaso de negócio com números, prazo de retorno
Quem compraSuprimentos, comprasPreço, prazo, condição, fornecedor confiávelProposta clara, histórico de entrega, documentação em dia
Quem pode vetarJurídico, segurança, financeiroContrato, responsabilidade, fluxo de caixaGarantias, termos, conformidade
Os cinco papéis do comitê de compra, quem usa, quem especifica, quem aprova, quem compra e quem pode vetar, e o que cada um precisa ver

Quando o vendedor só fala com quem compra, ele está jogando uma partida em que quatro pessoas do outro time nunca viram a cara dele.

4. Crie conteúdo e provas para cada papel

Com o quadro em mãos, olhe para o que você já tem. Normalmente sobra material para quem compra (catálogo, tabela) e falta para quem aprova e para quem pode vetar.

Uma das formas mais eficientes que eu já usei para abrir conversa com contas certas foi um gatilho externo. A atualização da NR1 obrigou as empresas a rever como cuidam dos riscos no trabalho, e nós usamos essa mudança como motivo legítimo para um cliente da área de educação falar com as empresas que precisavam se adequar. O cliente não chegou pedindo atenção. Chegou com a solução para um problema que já tinha prazo. Lei nova, norma nova ou mudança de mercado são ótimos pretextos, porque o comitê inteiro passa a ter um problema com data.

5. Escolha os canais e cuidado com um limite do LinkedIn

Os canais mais usados no ABM B2B são LinkedIn Ads, e-mail e prospecção ativa pelo comercial, eventos e visitas, além de páginas do site feitas para um setor ou um grupo de contas. O LinkedIn Ads costuma ser o centro, porque permite anunciar para cargos dentro de empresas específicas.

Agora o limite que prometi lá em cima. Para subir uma lista de empresas no Campaign Manager, o LinkedIn exige no mínimo 300 linhas e recomenda 1.000 ou mais. E o público só começa a veicular quando encontra pelo menos 300 membros (regras na central de ajuda do LinkedIn).

Ou seja, se a sua lista tem 40 indústrias, ela não sobe como lista de empresas. Isso não impede o ABM. Muda a montagem. As saídas que funcionam são selecionar as empresas uma a uma na segmentação por nome de empresa, combinar com cargos e áreas até passar de 300 membros, ou juntar contas parecidas de nível 2 e 3 numa lista maior. Para o nível 1, o canal principal continua sendo o comercial, com o anúncio aquecendo o terreno.

Lista de 40 empresas recusada pelo LinkedIn por ter menos de 300 linhas e as três saídas possíveis

6. Meça por conta, e não por lead

Se você medir ABM contando formulário, ele vai parecer um fracasso nos primeiros meses. A pergunta certa é outra. As contas da lista estão se aproximando?

O que medirComo ver
Contas alcançadasQuantas empresas da lista viram seus anúncios ou conteúdos
Pessoas do comitê envolvidasQuantos papéis diferentes de cada conta interagiram
Contas engajadasVisitas ao site, respostas, conexões, presença em eventos
Reuniões e oportunidadesRegistradas no CRM, com a conta e a origem
Velocidade e tamanhoSe o ciclo encurtou e se o ticket subiu em relação às vendas fora do ABM

Tudo isso precisa estar no CRM. Sem registro da conta, da origem e de quem participou, ninguém vai conseguir dizer daqui a seis meses se valeu a pena.

Atenção antes de começar

Os 5 erros que mais vejo em ABM

Se o seu projeto tem um destes, ele vai parecer que não funciona. E a culpa vai cair no ABM, quando o problema estava na montagem.

01

Lista dos sonhos

Colocar só as maiores empresas do setor, que nem têm o problema que você resolve. A lista impressiona na reunião e não gera uma conversa.

02

Personalizar só o nome

Trocar o nome da empresa no e-mail não é ABM. Mudar o argumento para cada papel do comitê é.

03

Esperar resultado no primeiro mês

Relacionamento com conta grande se mede em trimestres. Quem desliga no segundo mês joga fora a parte mais cara, que foi começar.

04

Marketing sozinho

Sem o comercial na lista, na mensagem e no acompanhamento, o ABM vira mídia cara.

05

Esquecer quem pode vetar

A venda chega na reta final e trava no jurídico ou no financeiro, com alguém que nunca ouviu falar de você.

Se não for agora, será quando?

Você criou a sua empresa para existir pelos próximos 2 ou pelos próximos 15 anos? As 40 contas da sua lista não vão esperar o seu marketing ficar pronto. Alguém já está falando com o engenheiro que especifica e com o diretor que aprova. A pergunta é se vai ser você.

O ABM não substitui o resto do marketing. Ele é a camada que coloca foco onde está o maior retorno. Quando ele entra junto com o perfil de cliente ideal, a geração de demanda e um processo de vendas bem amarrado, o comercial para de correr atrás de lead frio e passa a conversar com quem já conhece a empresa.

Veja como aplicamos isso. O ABM é uma das peças da camada de marketing do método que eu uso com empresas B2B e indústrias, do perfil de cliente ideal até a venda medida no CRM. Conheça a metodologia da MARDINI.

Perguntas frequentes sobre ABM

ABM funciona para indústria?

Funciona quando há poucas contas de alto valor, que dá para nomear, e quando marketing e vendas trabalham a mesma lista. Em mercados com muitos compradores pequenos, a geração de demanda costuma render mais.

Qual é a diferença entre ABM e inbound marketing?

O inbound atrai quem já está pesquisando e filtra depois. O ABM escolhe antes as empresas e vai até elas. Muitas empresas B2B usam os dois, o inbound para ser encontrado e o ABM para as contas que mais pesam.

Quanto tempo o ABM leva para dar resultado?

Depende do ciclo de venda do seu mercado. Como regra, conte em trimestres e não em semanas. Os primeiros sinais são contas engajadas e reuniões. A venda vem no ritmo do seu ciclo normal.

Preciso de uma ferramenta específica para fazer ABM?

Não para começar. Uma lista bem feita, um CRM com as contas registradas, o LinkedIn Ads e o comercial envolvido já permitem um primeiro ciclo. Ferramentas de intenção de compra e de automação ajudam quando a operação cresce.

Quantas contas devo escolher no começo?

Para um primeiro ciclo, de 20 a 50 contas no formato um para poucos é um bom tamanho. Dá para personalizar de verdade e aprender rápido.


Sobre o autor. Leonardo Silvestre Mardini é fundador da MARDINI, agência de marketing B2B e industrial criada em 2011, que já atendeu mais de 600 empresas em mais de 10 países. Começou fazendo sites e hoje ajuda indústrias e empresas de venda complexa a serem encontradas, compreendidas e escolhidas por quem decide a compra. Leonardo no LinkedIn

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